segunda-feira, 28 de abril de 2014

Casamento, Uma Instituição Essencialmente Cristã

Alguns anos atrás, compareci a um casamento interessante. Fui especialmente surpreendido pela criatividade da cerimônia. A noiva e o noivo tinham desenvolvido ideias com o pastor para inserir elementos novos e empolgantes no culto, e eu gostei daqueles elementos. Contudo, no meio da cerimônia, eles incluíram porções da cerimônia de casamento clássica e tradicional. Quando comecei a ouvir as palavras da cerimônia tradicional, minha atenção foi despertada e fiquei comovido. Lembro-me de ter pensado: “Não há como melhorar isso, pois as palavras são tão belas e significativas”. Uma grande quantidade de reflexão e cuidado foi colocada nessas velhas e familiares palavras.
Hoje, é claro, muitos jovens estão não apenas dizendo “não” para a tradicional cerimônia de casamento, como também estão rejeitando o próprio conceito do casamento. Mais e mais jovens estão vindo de lares rachados e, como resultado, têm medo e desconfiança quanto ao valor do casamento. Então vemos casais vivendo juntos ao invés de se casarem, por medo de ser grande demais o custo de tal comprometimento. Eles temem que isso os torne vulneráveis demais. Isso significa que uma das mais estáveis e, costumávamos pensar, mais permanentes tradições de nossa cultura está sendo desafiada.
Uma das coisas que eu mais gosto na cerimônia tradicional de casamento é que ela inclui uma explicação para o motivo da existência de algo como o casamento. Nos é dito, naquela cerimônia, que o casamento é ordenado e instituído por Deus — isso significa dizer que o casamento não simplesmente brotou arbitrariamente de convenções sociais ou tabus humanos. O casamento não foi inventado por homens, mas por Deus.
Nós vemos isso nos primeiros capítulos do Antigo Testamento, onde encontramos o relato da criação. Encontramos que Deus vai criando em etapas, começando com a luz (Gn 1.3) e finalizando o processo com a criação do homem (v. 27). Em cada etapa, ele profere uma bênção, uma “boa palavra”. Deus repetidamente olha para o que ele criou e diz: “Isso é bom” (vv. 4, 10, 12, 18, 21, 25, 31).
Mas então, Deus nota algo que provoca não uma bênção, mas o que chamamos de maldição, isto é, uma “palavra má”. O que é essa coisa que Deus viu na sua criação que ele julgou como “não é bom”? Nós a encontramos em Gênesis 2.18, quando Deus declara: “Não é bom que o homem esteja só”. Isso o leva a criar Eva e a trazê-la até Adão. Deus instituiu o casamento, e ele o fez, em primeira instância, como uma resposta à solidão humana. Por essa razão, Deus inspirou Moisés a escrever: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (v.24).
Mas embora eu goste de apreciar as palavras da cerimônia tradicional de casamento, eu creio que a forma da cerimônia é ainda mais importante. Isso porque a cerimônia tradicional envolve fazer um pacto. Toda a ideia de pacto está profundamente enraizada no cristianismo bíblico. A Bíblia ensina que nossa própria redenção é baseada em um pacto. Muito poderia ser dito a respeito do caráter dos pactos bíblicos, mas uma faceta vital é que nenhum deles é uma questão privada. Todo pacto é tomado diante de testemunhas. É por isso que trazemos convidados aos nossos casamentos, para que eles testemunhem os nossos votos — e nos considerem responsáveis por cumpri-los. Uma coisa é um homem sussurrar expressões de amor para uma mulher quando ninguém ouve; mas é muito diferente quando ele fica de pé em uma igreja, diante de pais, amigos, autoridades eclesiásticas ou civis, e diante do próprio Deus e, lá, faz promessas de amá-la e protegê-la. Votos de casamento são promessas sagradas feitas na presença de testemunhas que se lembrarão delas.
Eu creio que o casamento é a mais preciosa de todas as instituições humanas. É também a mais perigosa. Em nossos casamentos, derramamos as nossas mais profundas expectativas. Colocamos as nossas emoções. Lá podemos alcançar a mais profunda felicidade, mas também podemos experimentar a maior decepção, a maior frustração, a maior dor. Com tudo isso em jogo, precisamos de algo mais solene do que uma promessa casual.
Mesmo em cerimônias formais de casamento, com o envolvimento de estruturas de autoridade, cerca de cinquenta por cento dos casamentos fracassam. Infelizmente, entre homens e mulheres que permanecem juntos como marido e mulher, muitos não se casariam com o mesmo cônjuge novamente, mas permanecem juntos por várias razões. Algo foi perdido quanto ao caráter sagrado e santo do pacto do casamento. A fim de fortalecer a instituição do casamento, devemos considerar fortalecer a cerimônia de casamento com uma clara e bíblica lembrança: o casamento é instituído por Deus e forjado à sua vista.
Tradução: Alan Cristie.

R. C. Sproul nasceu em 1939, no estado da Pensilvânia. É  pastor da igreja St. Andrews Chapel, na Flórida.

Fé ou Arrependimento: o que vem primeiro?

Sinclair Ferguson
Quando o evangelho é proclamado, à primeira vista parece que duas diferentes respostas, até mesmo alternativas, são necessárias. Às vezes o chamado é “Arrependa-se!”. Assim, “apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: ‘Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus’” (Mt 3.1-2). Novamente, Pedro insta com os ouvintes cujas consciências foram abertas no dia do Pentecoste: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo” (At 2.38). Mais tarde, Paulo insta com os atenienses para se arrependerem em resposta à mensagem do Cristo ressurreto (At 17.30).
Ainda assim, em outras ocasiões, a resposta apropriada ao evangelho é: “Creia!”. Quando o carcereiro filipense perguntou a Paulo o que ele deveria fazer para ser salvo, o apóstolo disse a ele: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (At 16.31).
Mas não há mistério ou contradição aqui. Mais adiante em Atos 17, descobrimos que precisamente onde a resposta do arrependimento era necessária, aqueles que foram convertidos são descritos como crentes (At 17.30, 34).
Qualquer confusão é certamente resolvida pelo fato de que quando Jesus pregou “o evangelho de Deus” na Galiléia, ele instou aos seus ouvintes: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15). Aqui o arrependimento e a fé estão unidos. Eles denotam dois aspectos na conversão que são igualmente essenciais. Assim, cada termo sugere a presença do outro, pois cada realidade (arrependimento ou fé) é sine qua non da outra.
Em termos gramaticais, portanto, as palavras arrepender e crer funcionam como uma sinédoque — uma figura de linguagem na qual uma parte é usada para referir-se ao todo. Portanto, arrependimento sugere fé e fé sugere arrependimento. Um não pode existir sem o outro.
Mas, logicamente, o que vem primeiro? O arrependimento? A fé? Ou nenhum possui uma prioridade absoluta? Houve prolongados debates no pensamento reformado sobre isso. Cada uma das três possíveis respostas têm seus defensores:
Primeiro, W.G.T. Shedd insistiu que a fé deve preceder o arrependimento seguindo a ordem de natureza: “Embora a fé e o arrependimento sejam inseparáveis e simultâneos, ainda assim, em ordem de natureza, a fé precede o arrependimento” (Dogmatic Theology, 2.536). Shedd argumentou isso alegando que o poder motivador para o arrependimento reside na compreensão da fé da misericórdia de Deus. Se o arrependimento precedesse a fé, tanto o arrependimento quanto a fé seriam legais em caráter, e se tornariam pré-requisitos para a graça.
Segundo, Louis Berkhof parece ter tomado a posição contrária: “Não há dúvida de que, logicamente, o arrependimento e o conhecimento do pecado precedem a fé que se entrega a Cristo em amor confiante” (Systematic Theology, p. 492).
Terceiro, John Murray insistiu que essa questão levanta:
... uma pergunta desnecessária e a insistência fútil de que uma precede à outra. Não há prioridade. A fé que é para a salvação é uma fé penitente, e o arrependimento que é para a vida é um arrependimento crente [...] fé salvífica é permeada de arrependimento, e arrependimento é permeado de fé salvífica. (Redemption — Accomplished and Applied, p. 113).
Essa é, certamente, a perspectiva mais bíblica. Não podemos separar o desviar-se do pecado em arrependimento e o converter-se a Cristo em fé. Ambos descrevem a mesma pessoa na mesma ação, mas a partir de perspectivas diferentes. Sob um ângulo (arrependimento), a pessoa é vista em relação ao pecado; de outro (fé), a pessoa é vista em relação ao Senhor Jesus. Mas o indivíduo que simultaneamente confia em Cristo se desvia do pecado. Ao crer, ele se arrepende, e ao arrepender-se, ele crê. Talvez R. L. Dabney expresse isso melhor quando ele diz que arrependimento e fé são graças “gêmeas” (talvez possamos dizer “gêmeas siamesas”).
Mas tendo dito isso, de maneira nenhuma dissemos tudo o que há para se dizer. Entrelaçada com qualquer teologia da conversão repousa uma psicologia da conversão. Em qualquer indivíduo, ao nível da consciência, pode predominar um senso de arrependimento ou de confiança. O que é unificado teologicamente pode ser psicologicamente diverso. Assim, um indivíduo profundamente convencido da culpa e da escravidão do pecado pode experimentar o desviar-se dele (arrependimento) como uma marca predominante em sua conversão. Outros (cuja experiência de convencimento se aprofunda após a conversão) podem ter um senso predominante da maravilha do amor de Cristo, com menos agonia na alma no nível psicológico. Aqui o indivíduo está mais consciente da confiança em Cristo do que do arrependimento do pecado. Mas na verdadeira conversão, um não pode existir sem o outro.
Os pontos psicológicos que acompanham a conversão assim variam, dependendo às vezes da ênfase predominante do evangelho que é exposta ao pecador (a perversidade do pecado ou a grandeza da graça). Isso é bastante coerente com o perspicaz comentário dos Teólogos de Westminster sobre o fato de que a fé (isto é, a resposta confiante do indivíduo à palavra do evangelho) “age em conformidade com aquilo que cada passagem [da Escritura] contém em particular” (CFW 14.2)1.
De maneira nenhuma, entretanto, a real conversão pode acontecer à parte da presença tanto do arrependimento quanto da fé, e, portanto, da alegria e da tristeza. Uma “conversão” em que não há tristeza pelo pecado, que recebe a palavra apenas com alegria, será temporária.
A parábola de Jesus sobre o semeador é instrutiva aqui. Em um tipo de solo, a semente brota rapidamente, mas morre repentinamente. Isso representa os “convertidos” que recebem a palavra com alegria — mas com nenhum senso de estar sendo arado pela convicção do pecado ou qualquer dor no desviar-se do mesmo (Mc 4.5-6, 16-17). Por outro lado, uma conversão que é apenas tristeza pelo pecado, sem nenhuma alegria pelo perdão, provará ser apenas “tristeza do mundo” que “produz morte” (2Co 7.10). No fim, não dará em nada.
Isso, contudo, levanta a última questão: a necessidade do arrependimento na conversão  constitui um tipo de obra que vai contra a fé sem obras? Ela compromete a graça?
Em uma palavra, não. Pecadores devem sempre achegar-se de mãos vazias. Mas esse é justamente o ponto. Por natureza, minhas mãos estão cheias (de pecado, do ego e das minhas próprias “boas obras”). Contudo, mãos que estão cheias não conseguem agarrar-se a Cristo em fé. Ao invés disso, quando elas agarram nele, elas são esvaziadas. Aquilo que nos impedia de confiar nele, inevitavelmente cai no chão. O velho estilo de vida não pode ser retido nas mãos que estão agarrando o Salvador.
Sim, arrependimento e fé são dois elementos essenciais na conversão. São graças gêmeas que não podem ser separadas. Como João Calvino bem nos lembra, isso é verdadeiro não apenas no início, mas durante toda a nossa vida cristã. Nós somos crentes penitentes e penitentes crentes durante todo o caminho em direção à glória.
Tradução: Alan Cristie

HUMILDADE, O PORTAL DA HONRA

O temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e a humildade precede a honra (Pv 15.33).

O temor do Senhor não é apenas o princípio da sabedoria, mas também é a instrução da sabedoria. Quem teme a Deus foge dos caminhos convidativos do pecado. Quem teme a Deus não engrossa as fileiras dos pecadores que se vangloriam de sua insensatez, nem se assenta na roda dos escarnecedores que zombam das coisas santas. Quem teme a Deus busca instrução e coloca em prática o que aprende aos pés do Senhor. A evidência de uma pessoa que teme a Deus é a humildade. E impossível temer a Deus e ser ao mesmo tempo soberbo. A arrogância não combina com o temor do Senhor, assim como a humildade não mora na casa do altivo de coração. Se a soberba é a sala de espera da ruína, a humildade é o portal da honra. Deus resiste ao soberbo, mas dá graça aos humildes. Os que se exaltam são humilhados, mas os humildes são exaltados. Os que batem palmas para si mesmos e entoam o hino "Quão grande és tu" diante do espelho serão envergonhados e se cobrirão de opróbrio e vergonha, mas aqueles que choram pelos seus pecados e se humilham sob a poderosa mão de Deus são exaltados. O reino de Deus pertence aos humildes de espírito, e não aos arrogantes de coração. Só os humildes são seguidores daquele que se esvaziou a si mesmo e se tornou servo.
Gotas de Sabedoria para a Alma – LPC Publicações – Digitado por: Rev. Zé Francisco.

PREGAÇÃO EM ATOS 2.4 - O DOM DO ESPÍRITO: UM ATO SOBERANO DE DEUS

INTRODUÇÃO
É bastante peculiar a preocupação de R. C. Sproul em seu livro “O Mistério do Espírito Santo” quando afirma que as inferências neopentecostais, põe em perigo o pleno sentido do Pentecoste na história eclesiástica.
A doutrina do Espírito, mas especificamente, a que diz respeito ao dom do Espirito ou batismo no Espirito Santo, como é mais conhecida, têm sofrido distorcões e causado muitas divergências entre os grupos evangélicos por falta de conhecimento desta doutrina. Muitos, sem fazer sequer um estudo textual do livro de Atos, afirmam que o dom é uma segunda bêncão que evidencia o batismo no Espírito e deve ser buscada, pois Deus só concede àqueles que se santificam e o buscam. Porém, não é esta verdade que encontramos no texto de At 2.4.
Algumas questões precisam ser levantada: será que Deus é individualista e faz acepção de pessoas para dar o “dom”? Será que depende do homem para receber, ou é somente de Deus? Será que Deus não tinha um propósito com a descida do Espírito santo sobre todos os discípulos? Por último, Será que este dom é para servir de espetáculo e provocar orgulho naqueles que recebe?
Elucidação
O livro de Atos dos Apóstolos foi escrito pelo mesmo autor do Evangelho de Lucas para continuar a história que Jesus começou a fazer e ensinar (At 1.1). Embora muitos defendam que o título do livro deveria ser “os Atos do Espírito Santo”, a verdade é que ele continua o ministério por meio de homens escolhidos por Jesus para esse fim. O tema central continua sendo a Cristologia. Sendo que agora o Espírito coopera e sem Ele não nada seria feito, pois Ele é Deus e sempre esteve presente em toda a história da Igreja peregrina.
A manifestação do Espírito na história da igreja, especialmente em Atos, cumpre um propósito divino para a comunicação de sua Verdade a todos os povos (inclusive os gentios) e com isso manter um relacionamento de Pai e filho. Pedro indica para os zombadores que aquilo que eles acabavam de ver e ouvir era o cumprimento da promessa de Deus, no profeta Joel, no sentido de derramar Seu Espírito sobre toda carne (2.17), e todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (v. 21). Joel, como Lucas (e Pedro), acha que a razão de ser do grande evento escatológico no espírito não é tanto o derramamento do espírito como tal quanto a promessa universal da salvação em prol da qual o Espírito é derramado.
Lucas mostra a importância da descida dizendo que quando o Espírito desceu (do céu) sobre aqueles que aguardavam a promessa de Jesus (At 1.4, 8), eles não somente passaram a falar a mensagem inspirados pelo Espírito, de acordo com a vontade do Espírito, para cumprir o propósito de unir os povos, como também ele nos informa que aqueles que ouviam eram despertados pelo Espírito e se convertiam. Porém, ele deixa bem claro que tudo dependia de Deus. Os que receberam o dom do Espírito, nada fizeram para receber. Todos estavam numa posição estática. Considerado o exposto, desejamos meditar no seguinte tema:
Tema: O DOM DO ESPÍRITO: UM ATO SOBERANO DE DEUS
1. É PARA TODOS OS ELEITOS
Deus não faz acepção de pessoas. Todos, que estão em Cristo, já foram feitos filhos de Deus, e consequentemente, são de fato tratados de igual modo, por um Deus soberano, amoroso e justo. É lamentável ver e ouvir pessoas tratando de Deus como se ele fosse humano. A palavra de Deus diz que ele não é como o homem. Ele age de conformidade com o seu conselho santo.
Fundamentado nesta verdade da soberania de Deus, cremos que todos os eleitos, são batizados no Espírito Santo, ou seja, todos recebem do mesmo Espírito, pois a promessa é para nós e nossos filhos. Paulo diz que aquele que não tem o Espírito, esse tal não é dele (Rm 8.9), e o Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (v. 16). Como, pois dizem alguns que o crente precisa buscar o dom do Espírito para autenticar a fé? Certamente, estes não conhecem o Deus Soberano que elege o seu povo.
Portanto, não adianta querermos mudar esta verdade, pois tudo depende de um ato soberano de Deus para “todos” os eleitos. O homem é totalmente inoperante nesta ação exclusiva de Deus. Ele apenas recebe como dádiva.
2. CUMPRE UM PROPÓSITO DIVINO
Tudo que Deus fez e faz tem um propósito definido no conselho eterno. Nada, absolutamente nada, acontece por acaso. Por isso, podemos afirmar que “o dom do Espírito” veio sobre a igreja para cumprir um mandato missionário determinando a forma de comunicação para a pregação do Evangelho, e assim alcançar todas as nações.
É interessante observarmos que todos aqueles que verdadeiramente são despertados pelo Espírito Santo, imediatamente se manifestam convictos da verdade, e, logo, passam a anunciar esta verdade, de acordo com o propósito divino. Eles são convencidos de que não podem se calar, pois, antes importa agradar a Deus do que aos homens (At 4.19).
O dom recebido tem esse propósito definido por Deus. Não é o homem quem determina o que fazer com o dom do Espírito Santo, pois ele é de Deus e só servirá a vontade de Dele. Todo crente deve ter essa consciência de serviço a Deus. O dom não autentica nem exalta aquele que recebe, “porque Deus é quem efetua em nós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13).
Portanto, A única coisa sábia que devemos fazer é obedecer à voz de Deus. O resto é Ele quem faz para cumprir todo o seu propósito.
3. ALCANÇA O RESULTADO DESEJADO
Se “todos” os eleitos recebem o dom, se Deus “cumpre” o seu propósito, certamente Ele também objetiva um resultado. Aqueles que recebem o dom do Espírito não ficarão inertes, nem permanecerão estáticos após receberem o dom, pois Deus fará com que ele pregue a mensagem para alcançar aqueles que foram destinados para a salvação.
O ensino calvinista é que o Espírito de Deus, através do ministério da Palavra, chama irresistivelmente o eleito, regenerando-o e assim habilitando-o a responder positivamente em fé à oferta das boas novas do Evangelho. Essa chamada é irresistível, embora não se constitua uma violação da vontade do pecador.
Um dom que serve apenas aos caprichos soberbos do homem, não pode ser caracterizado como um dom espiritual vindo da parte de Deus, pois os dons de Deus são para o uso exclusivo na expansão das boas novas de salvação, a fim de que todos em todo o mundo conheçam a graça soberana de Deus. Uns responderão positivamente, para a vida; outros porém, responderão negativamente para a morte. O que fica claro é que o “dom do Espírito” alcança o objetivo santo de Deus. É sempre independente da vontade humana porque é Deus que decide, aliás, Ele já decidiu no conselho eterno.
Portanto, estamos persuadidos, e aqui reafirmamos que Deus não faz nada que possa ser frustrado porque ele tem tudo planejado na eternidade e fará cumprir para que seja alcançado o seu desejo.
CONCLUSÃO
Gostaria de concluir esse pequeno comentário citando um texto de John R. Stott: “Em cada tipo de batismo... há quatro elementos. Os dois primeiros são o sujeito e objeto, ou Seja, o batizador e o batizado. Em terceiro lugar, há o elemento com ou em (en) que o batismo é realizado, e, em quarto lugar, o propósito”. Nesse caso, o Espírito Santo é o Sujeito que batiza, os eleitos, é o objeto que recebe o batismo (ou dom), e o propósito é a formação da nova igreja universal.
Antony Hoekema diz: “ser batizado com o Espírito é descrito como idêntico à regeneração – com o soberano ato de Deus pelo qual somos feitos um com Cristo e incorporado no seu corpo”. Você não precisa buscar um “batismo do Espírito Santo como uma experiência pós-conversão, como diz Paulo aos Coríntios e serve pra nós; quem está em Cristo, já foi batizado com ou no Espírito”! e, “o fato de que todos sejam batizados com o Espírito não significa que já estejam sempre entregues plenamente ao Espírito ou cheios do Espírito”.

Ipanguaçu/RN, 27 de Abril de 2014 – Pr, José Francisco.

terça-feira, 22 de abril de 2014

JESUS MORREU POR TODOS OS HOMENS?


Todos os cristãos ortodoxos creem que Cristo morreu para redimir as pessoas, mas nem todos concordam sobre por quais pessoas ele morreu. Os arminianos creem que Cristo morreu por todo o mundo. Assim, ele apenas tornou possível a salvação a todos, mas depende de cada um fazer uso, ou não, do poder redentor que Cristo conquistou. Os calvinistas, entendendo que o sacrifício de Cristo não apenas possibilita a expiação, mas realmente a efetua, sustentam que Cristo morreu pelos pecados de seu povo. Segundo essa interpretação, Cristo não poderia ter morrido pelos pecados do mundo inteiro, pois, se tivesse feito isso, teria necessariamente salvo todas as pessoas do mundo inteiro.
Mas a Bíblia ensina isso? Inicialmente devemos perceber que Jesus falou em morrer pelas suas ovelhas. Ele disse: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11). Dessas ovelhas ele disse: “Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim” (Jo 10.14). Em seguida ele declarou: “Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor” (Jo 10.16). Mas certamente essas ovelhas não eram todas as pessoas do mundo sem exceção. Mais à frente ele disse para um grupo de incrédulos: “Vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10.26-27). A conclusão óbvia a que podemos chegar é que ele não morreria por aquelas pessoas, uma vez que não eram suas ovelhas, pois disse que morreria pelas suas ovelhas. Essa afirmação de Jesus limita o alcance da expiação. Ele morreu pelo seu povo, pelas suas ovelhas.
Em outras passagens, Jesus deixou claro que morreria não por todos, mas por muitos: “O Filho do Homem, não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20.28). A mesma linguagem pode ser encontrada em Hebreus 9.28: “... Cristo, tendo se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação”.
João 17 transcreve a oração que Jesus fez pouco antes de morrer. Nessa oração ele fez questão de orar por seus discípulos: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra” (Jo 17.6). Em seguida, Jesus delimita o escopo de sua oração: “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (Jo 17.9). Por que Jesus não orou pelo mundo, mas apenas pelos seus discípulos? Se ele daria sua vida em resgate por todas as pessoas do mundo, deveria orar por elas também! Mas ele orou apenas pelos crentes (do passado e do futuro: Jo 17.20). Sua obra de intercessão depende de sua obra de expiação, pois é só através de sua morte que pode conceder benefícios aos homens. Se ele não orou pelas demais pessoas do mundo é porque não morreria por elas.
Algumas passagens bíblicas são apontadas para mostrar que Cristo morreu por todos os homens. A mais famosa é João 3.16: “... Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Ver Jo 1.29; 6.33, 51; Rm 11.12; 2Co 5.19; 1Jo 2.2). A expressão “mundo” se refere a cada pessoa sem exceção? Se conseguíssemos provar que tenha existido pelo menos uma pessoa que Deus não tenha amado, então, não teríamos razão para crer que “mundo” em João 3.16, ou mesmo noutras passagens, diga respeito a cada pessoa sem exceção. O fato é que encontramos tal pessoa: Esaú. Dele, em contraste com seu irmão Jacó, a Bíblia diz: “Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú” (Rm 9.13). Literalmente, o texto diz que Deus amou Jacó, mas não amou Esaú (a palavra “aborreci” literalmente significa “odiei”). Isso é suficiente para dizermos que quando a Bíblia diz que Deus amou o mundo, não está se referindo a cada pessoa sem exceção, pois Esaú, pelo menos, está fora desse amor. Dizer que Deus ama o mundo equivale a afirmar que ele ama genericamente toda a sua criação. Ele mandou seu Filho a fim de criar um novo mundo, mas nem todas as pessoas deste mundo serão renovadas.
Existem outras passagens que dizem que Cristo morreu por todos os homens (Rm 5.18, 1Co 15.22, 2Co 5.14, 1Tm 2.6, Tt 2.11, Hb 2.9). O que se pode dizer de todas essas passagens é que não podemos interpretar a expressão “todos os homens” como se referindo a todos os homens sem nenhuma exceção. Se fizéssemos isso estaríamos afirmando que todos os homens serão salvos. Por causa disso, necessariamente a expressão “todos” desses textos se refere a todos os salvos, ou mesmo, a todas as classes de homens. Em Romanos 5.18 e 1Coríntios 15.22 a expressão “todos” inclui somente os que estão em Cristo em contraste com os que estão em Adão. Em 2Coríntios 5.14 e Hebreus 2.9 o mesmo deve ser dito, caso contrário todos os homens acabarão sendo salvos. A passagem de Tito 2.11 refere-se a todas as classes de homens, mas não a cada homem sem exceção. Por fim, 1Timóteo 2.6 fala sobre a inclusão tanto de judeus quanto de gentios na salvação.
O texto que parece afirmar de forma mais clara que a morte de Cristo foi pelo mundo inteiro é 1João 2.2: “... ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”. O argumento em favor da expiação limitada entende a expressão “mundo” nesse texto como uma descrição generalizada, querendo apontar para um grupo especial, o grupo dos salvos do mundo inteiro. Não significa cada pessoa do mundo sem exceção, pois caso contrário, essa propiciação evidentemente salvaria todas as pessoas. É preciso lembrar que propiciação significa “apaziguar a ira de Deus”. Se Jesus apaziguou a ira de Deus para cada pessoa do mundo, então, Deus não estaria mais irado com ninguém, e todos iriam para o céu.
Se Cristo de fato tivesse morrido por todos os homens sem exceção, então em muitos casos, seu sangue teria sido impotente, porque apesar de ter dado a vida por alguma pessoa, talvez aquela pessoa acabasse no Inferno. Quando Cristo morreu, pessoas já estavam no Inferno? Sim, todas as pessoas que morreram sem salvação antes de sua vinda. A questão é: Ele morreu por elas também? Parece ilógico dizer que sim, pois seria um desperdício de um sangue tão precioso. Teria Cristo morrido por Judas Iscariotes? A Bíblia chama Judas de “o filho da perdição” (Jo 17.12), e diz que tudo o que aconteceu através dele aconteceu segundo o que as próprias Escrituras haviam profetizado (Mt 26.24). De acordo com a Escritura, Judas não tinha chances de ser salvo, então, por que Jesus morreria por ele?A Escritura fala da obra de Cristo em termos definitivos em favor dos eleitos. Se ele morreu por todos os homens, então todos os homens precisariam de fato ser salvos. Só há duas opções, ou a redenção é limitada em seu alcance ou é limitada em seu poder. É preferível pensar que ela seja limitada no alcance, ou seja, que não foi posta para alcançar todos os homens. Ela não é limitada em poder, pois pode salvar completamente todos aqueles a quem foi destinada.
O Rev. Leandro Antônio de Lima é membro do Conselho Editorial do BP.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Bíblia de Estudo de Genebra - Editora Cultura Cristã


Biblia de GenebraQuatro séculos atrás, as notas da Bíblia de Genebra fizeram a erudição dos mestres da Escritura servir à causa de Deus, da verdade e da piedade, com toda a profundidade alcançada pela Teologia da Reforma.
A Bíblia de Estudo de Genebra, como já fez antes, inicia uma revolução espiritual com textos que explicam de modo coerente e inteligível o sentido das Escrituras para o crente dos nossos dias.

Prosseguindo com o propósito da Bíblia de Genebra, publicada em 1560, a nova Bíblia de Estudo de Genebra contém uma reafirmação moderna da verdade da Reforma em seus comentários e notas teológicas provenientes da colaboração de 50 eruditos da atualidade.

O principal recurso da Bíblia de Estudo de Genebra é a sua fidelidade ao texto bíblico. E também:
  • 17 Mapas Coloridos
    Das principais regiões de interesse para o estudo da Palavra de Deus. 
  • 61 Mapas Ilustrativos
    Próximos ao texto que se refere à área descrita, facilitam o entendimento das passagens bíblicas e ajudam no preparo de lições e mensagens. 
  • Concordância Bíblica
    Com 3.838 verbetes, (134 páginas) a mais abrangente concordância para Bíblias de estudo existente em português. 
  • Introduções aos Livros da Bíblia
    Informações úteis sobre a autoria, data e ocasião, dificuldades interpretativas, características e temas. Tudo para se compreender o Livro em seu contexto e seu sentido original. 
  • 19.403 Notas de Estudo
    Preparadas por 50 eruditos com explicações do sentido do texto bíblico para aplicação em sua vida. 
  • Índice Para Anotações
    Com fácil localização de temas e comentários. 
  • Introduções às Seções
    As grandes divisões da Bíblia são explicadas para enriquecer a pesquisa, com dados sobre autoria, data, composição, tema, etc. 
  • 96 Notas Teológicas
    Sobre temas bíblicos e doutrinários principais, profundas, mas em linguagem simples e clara. 
  • 47 Gráficos Explicativos
    Famílias, cronologias, eventos, dados comparados, ilustrações, tabelas, etc., excelentes para reprodução em transparências ou cartazes.

As notas teológicas que acompanham o texto bíblico abarcam temas de suma importância, como:
  • milagres
  • pecado original e depravação total
  • auto-existência de Deus
  • sincretismo e idolatria
  • anjos
  • predestinação e pré-conhecimento
  • casamento e divórcio
  • juízo final
  • pecado imperdoável
  • inferno
  • redenção limitada
  • eleição e reprovação
  • ressurreição e glorificação
  • morte e estado intermediário
  • segunda vinda de Jesus
  • fé e obras
  • céu, etc.

Texto da Edição Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida.

NÃO DESPREZE SUA ALMA


O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma, porém o que atende à repreensão adquire entendimento (Pv 15.32).
A palavra "disciplina" tem uma conotação negativa na língua portuguesa. Traz a ideia de castigo. No entanto, o seu significado original não é esse. Ao contrário, disciplina significa ter alguém ao nosso lado como nosso encorajador. A disciplina tem o propósito de corrigir nossas atitudes e nossa rota e colocar-nos de volta no caminho da verdade. A disciplina pode até ser motivo de tristeza no momento em que está sendo aplicada. Nem sempre queremos mudar de atitude ou de direção. Mas quem rejeita a disciplina menospreza a sua alma e faz pouco caso de si mesmo. Quem não escuta conselho sofre as consequências de suas escolhas apressadas. Mas o fruto da disciplina traz paz e amadurecimento espiritual. Quem atende à repreensão adquire entendimento. Quem escuta a advertência investe em sua própria alma. Quem aceita a correção fica mais sábio. O propósito da disciplina não é nos destruir, mas nos purificar. O fogo da disciplina só queima as escórias e as amarras que nos prendem. A disciplina não nos enfraquece, mas tonifica nossa musculatura espiritual. Ela nos torna mais fortes, mais santos, mais sábios, mais prontos a viver a vida para a glória de Deus.
Gotas de Sabedoria para a Alma – LPC Publicações – Digitado por: Rev. Zé Francisco.

COMO NÃO DEVEMOS EVANGELIZAR


O grande obstáculo do evangelho é o silêncio. Por nos mantermos calados, esperando que nossa vida cristã testemunhe por si mesma, falhamos em cumprir o mandamento do Senhor. O mandamento “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” significa sair e anunciar a Palavra de Deus.
Quando nos aproximamos de um pecador, temos de falar-lhe sobre o que Cristo fez e sobre o simples mandamento de crer e descansar. Utilizar expressões como “aceite a Jesus no coração” e “entregue sua vida a Jesus” é muito semelhante ao que os católicos romanos ouvem em sua religião; e, às vezes, eles ouvem exatamente essas palavras. Essas mensagens têm de ser deixadas de lado completamente, se temos de evangelizá-los. Portanto, é necessário discutir algumas destas maneiras erradas de evangelizar que causam prejuízo ao verdadeiro evangelho.
O conceito bíblico da salvação é que, por meio da graça, o crente é aceito em Cristo. Todo o ensino de Efésios 1 se resume nas palavras do versículo 6: “Para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”. A frase “aceite a Jesus” segue em direção contrária ao ensino das Escrituras. Ela pressupõe que a salvação se encontra no poder do coração humano.
“Dê a Jesus o controle de sua vida, para que você seja salvo”. Este ensino é um erro porque o soberano Deus do universo controla a sua criação. Deus é Aquele que “faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11). Uma pessoa é salva exclusivamente pela graça de Deus, por meio da fé em Cristo — (Ef 2.8-9).
 “Dê a sua vida a Jesus, para que seja salvo” — este é um ensino errado por várias razões. Primeiramente, a vida eterna é um dom gratuito (Ef 2.8-9, Rm 5.15-18, 6.23). Uma pessoa não dá nada em troca de um dom gratuito. Deus outorga este dom gratuito quando coloca a pessoa em Cristo Jesus. Juntamente com o dom da salvação, Deus outorga o dom da fé, para que a pessoa creia que isto é o que Ele realmente fez (Jo 5.24-25). Frases como “entregue sua vida a Jesus” pressupõem, erroneamente, que a pessoa tem algo digno para oferecer a Deus. Pessoas espiritualmente mortas não podem oferecer qualquer coisa que as salvará de seus pecados. Visto que o homem está morto em pecados, Jesus Cristo deu a sua vida em favor dos pecados do seu povo (Gl 1.4).
O ato de vir a Cristo é iniciado pelo Pai, que atrai cada pessoa a Cristo (Jo 6.37). A salvação é realizada exclusivamente pela graça de Deus; é um dom gratuito de Deus, por meio da fé (Ef 2.8-9). Vir a Cristo significa ter a vida eterna agora mesmo; e esta vida será plenamente glorificada no céu. Na evangelização, falar sobre “ir para o céu” altera a ênfase do assunto, ao deixar de ressaltar aquilo que Deus é e destacar as realizações do homem; também erra por não deixar claro que, por meio da fé preciosa, a qual possuímos como crentes, já temos a vida eterna. Em vez de falarem sobre alcançar o céu, os que já são salvos devem proclamar aos perdidos: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

MORANDO ENTRE OS SÁBIOS


Os ouvidos que atendem à repreensão salutar no meio dos sábios têm a sua morada (Pv 15.31).
Há repreensões que nos chegam aos ouvidos como um forte ruído. Fazem apenas barulho, mas não trazem nenhuma mensagem clara nem relevante. Outras repreensões partem de pessoas insensatas, baseadas em motivações maldosas, cujo propósito é apenas humilhar e ferir. A essas repreensões não devemos dar ouvidos. Escutar esses críticos de plantão é perder a paz, o sono e o apetite. Mais ainda: é perder o foco. No entanto, há repreensão que procede de gente sábia, com motivação santa, cujo resultado é benéfico e salutar. Aqueles que atendem a essa repreensão construtiva alcançam a sabedoria e têm sua morada permanente entre os sábios. Só os tolos, que são arrogantes, rejeitam a repreensão. Só aqueles que se julgam acima do bem e do mal tapam os ouvidos aos conselhos. Uma pessoa sábia está sempre aberta a aprender. Uma pessoa humilde está sempre disposta a ser corrigida, se essa correção está calcada na verdade e procede de alguém regido por uma motivação santa. Quando somos repreendidos, tiramos os pés do caminho escorregadio do pecado e fixamos nossa morada no meio dos sábios. E melhor viver entre os sábios do que na mais alta torre da soberba. E melhor habitar onde reina a sabedoria do que estabelecer nossa casa entre os tolos.
Gotas de Sabedoria para a Alma – LPC Publicações – Digitado por: Rev. Zé Francisco.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A DOUTRINA DA PERSEVERANÇA DOS DANTOS

EVIDÊNCIAS BÍBLICAS DA DOUTRINA
Vamos começar com uma promessa bíblica que se cumpre em cada eleito de Deus (os verdadeiros israelitas), Jr 32:38-40: “Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias... Farei com eles aliança eterna segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim”.
O que diz o salmista no Sl 34:7? “O anjo do Senhor acampa se ao redor dos que o temem, e os livra”. É por isto que o salvo persevera na salvação: porque não somos deixados por nossa própria conta. O anjo do Senhor nos livra do pecado, da nossa natureza pecaminosa, e do arqui-inimigo das nossas almas.
E Jesus, o que diz? “Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5:24). “Em verdade, em verdade vos digo: Quem crê, tem a vida eterna”(Jo 6:47). “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente...
“(Jo 6:51). “Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede, para sempre; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:14). Estes, e muitos outros textos que poderiam ser acrescentados, afirmam a mesma coisa: aqueles em cujos corações foi aplicada a obra da redenção, pela fé, passaram definitivamente da morte para a vida. A vida que receberam é eterna e não transitória. Aquele que come do pão do céu vive eternamente. Quem bebe da água da vida nunca mais terá sede, para sempre. A fonte não seca; o suprimento é abundante. Esta é a natureza da nova vida que recebemos de Cristo: vida eterna.
O que Jesus quer enfatizar com esta linguagem? Ele deixa bem claro no capítulo 10:27-29:
As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.
Pode haver ensino mais claro do que este da doutrina da perseverança dos santos? A doutrina da perseverança dos santos não é doutrina apenas calvinista, nem agostiniana, nem paulina; é, sim, o ensino inequívoco do Senhor Jesus. Ninguém pode arrebatar-nos das mãos de Deus. Não há poder no mundo visível ou invisível capaz de separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Por quê? Jesus responde:
A vontade de quem me enviou é esta: Que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, Eu o ressuscitarei no último dia. De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer, tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. (Jo 6:39-40).
Passemos agora para as cartas do apóstolo Paulo: “O pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e, sim, da graça ‘, diz ele em Rm 6:14. O que este texto quer dizer é que, no estado de graça, não apenas estamos livres da condenação da lei, mas também do domínio do pecado. Antes, reinou o pecado; agora, reina a graça pela justiça para a vida eterna (5:21), Não se trata de exortação, mas de promessa; não temos aqui um imperativo, mas um indicativo. É uma afirmativa inspirada que nos assegura que o pecado não terá domínio sobre os salvos. Na vida dos redimidos quem prevalecerá é a graça, e não o pecado.
Em Romanos 14:4, Paulo está exortando os que não comiam carne a que não julgassem os que comiam. Neste contexto ele pergunta: “Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster” Esta era a convicção do apóstolo: Deus é poderoso para sustentar os seus servos. A perseverança dos salvos manifesta a eficácia da força do poder de Deus. Perseverar na graça não é obra humana, mas divina; não é obra natural, é sobrenatural.
Em Fp 1:6, o apóstolo manifesta a convicção que tinha desta verdade aos crentes de Filipos: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós, há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus”. É irreversível; a obra da redenção, uma vez iniciada, será inevitavelmente consumada, visto que foi determinada na eternidade. Não poderia ser de outro modo, pois “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis (sem arrependimento)59” (Rm 1 1:29). Se a vocação do povo de Israel como povo escolhido para receber a graça (comum) da influência evangélica é irrevogável (Rm 11:25-26), que dirá a vocação para a salvação, a graça especial da redenção?
Na carta aos Hebreus também encontramos um texto digno de consideração:
Porque com uma única oferta aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. E disto nos dá testemunho também o Espírito Santo; porquanto, após ter dito: Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei nos seus corações as minhas leis, e sobre as suas mentes as inscreverei... Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades  para sempre. Ora, onde há remissão destes, já não há oferta pelo pecado. (Hb 10: 14-18).
O argumento do autor de Hebreus, aqui, é que o sacrifício de Cristo foi eficaz para aperfeiçoar para sempre os santos. Deus havia prometido que colocaria no coração do Seu povo as Suas leis; e que os perdoaria de tal sorte, que não mais lembraria das suas iniquidades para sempre. Pois bem, Ele o fez. O sacrifício de Cristo tem valor eterno; redime para sempre.
Podemos concluir com 1 Pedro 1:5. Pedro está escrevendo aos “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo...” (1:2). Ele começa a sua carta, como Paulo em Efésios, bendizendo “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos; (ou seja) para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros.. (1:3-4). Para vós outros, quem? Para os eleitos. O que mais? “.. que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1:5). O que Pedro nos diz aqui, é que a consumação da nossa salvação (a posse plena da nossa herança celestial) é segura (está reservada), porque é o próprio poder de Deus que nos guardará até lá. É o próprio Espírito Santo quem age com todo o Seu poder, guardando nos até a consumação plena da nossa redenção. Por isso exultemos, irmãos, embora no presente, se necessário, sejamos contristados por várias provações. Pois tudo tem como objetivo confirmar a fé, e redundará em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.
Muitos outros textos poderiam ser relacionados aqui. Mas, se estes não forem suficientes para convencer-nos da gloriosa e confortadora verdade da perseverança dos santos, outros o fariam?

Do Livro "A Doutrina da perseverança dos santos - Extraído do livro: Calvinismo, As Antigas Doutrinas da Graça, páginas 89-100. Editora Os Puritanos.

Continua... PECAR? É POSSÍVEL; APOSTATAR? NUNCA.