sábado, 4 de abril de 2009

O inconformado do Piauí

Presidente da Associação Evangélica local, o pastor Robson da Silva não perde a chance de entrar numa briga santa.

O pastor Robson Marcelo da Silva, presidente da Associação Evangélica do Piauí (Aepi), não perde a chance de comprar uma briga santa. Ele está liderando um movimento de resistência cívica em seu estado e já anunciou que vai entrar com uma ação no Ministério Público pedindo que sejam retiradas imagens de santos de todos os órgãos públicos do Piauí. Em entrevista ao Jornal do Piauí, Silva alega que o Brasil é um Estado laico e que dinheiro púbico é usado na aquisição e manutenção dessas imagens. “Se o dinheiro é público, tem que ser usado para satisfazer a seguidores de todas as religiões”, argumenta o pastor. Segundo ele, muitas instituições apóiam sua iniciativa, inclusive ligadas a cultos afrobrasileiros. O religioso contratou um advogado que deve distribuir a ação ainda esta semana.
“As repartições públicas têm capelas ecumênicas, mas a maioria delas é tomada por símbolos religiosos da Igreja Católica. Por isso, alega, seguidores de outras crenças sofrerão constrangimento se quiserem usá-las. “Não sou contra os católicos, apenas estou reivindicando direitos”. Ele cita a Assembléia Legislativa, o Departamento de Trânsito, a Secretaria de Educação e o Hospital Getúlio Vargas como exemplos de órgãos públicos que mantêm capelas de acordo com os ritos católicos. “Esses espaços existem para ser usados por adeptos de todas as crenças”, protesta.
Robson tem se mostrado um inconformado. A proximidade da Semana Santa é o gancho que ele usa para novos protestos contra o que chama de predomínio dos princípios católicos. “A carne some ou aumenta de preço nesta época”, observa, referido-se ao costuma dos seguidores do catolicismo de não ingerir carne vermelha na época da Páscoa. “O ovo sobe, o macarrão sobe, o frango sobe. Até na Semana Santa os evangélicos são prejudicados”, esbraveja.
Fonte: Cristianismo Hoje

Um pastor no lugar de Clodovil

Flávio Bezerra (PMDB-CE), que é ligado à Igreja Universal, herda gabinete do deputado estilista.
O gabinete do deputado federal Clodovil Hernandes (PR-SP), morto mês passado, vai ser ocupado por um pastor. Conhecido por seus hábitos extravagantes, Clodovil, que era estilista e homossexual assumido, fez de seu espaço no Congresso Nacional uma extensão do próprio jeito de ser – o parlamentar despachava em meio a uma decoração peculiar. Além de objetos de arte, havia esculturas – como uma naja de bronze que sustentava uma mesa de vidro –, sofás de cetim, cortinas coloridas e retratos espalhados pelas paredes. Tudo já foi removido pela Presidência da Casa, que vai recolher os bens ao espólio do falecido deputado. E quem toma posse do gabinete é o deputado Flávio Bezerra (PMDB-CE), pastor da Igreja Universal do Reino de Deus.

Segundo Bezerra, a única lembrança do ex-colega é uma divisória branca, mandada instalar pelo próprio Clodovil. "É de bom gosto", elogia. Ele diz que não chegou a conhecê-lo. “Apenas trocávamos cumprimentos de ‘bom dia’ e ‘boa tarde’”, diz. Flávio Bezerra era o primeiro parlamentar da fila de deputados interessados em trocar de gabinete, e teve a preferência na escolha pela sala desocupada. Apesar das evidentes diferenças entre o pastor e o estilista, Bezerra tem algumas opiniões que se aproximam da liberalidade com que Clodovil pautou sua vida. Ele defende, por exemplo, a descriminalização do aborto, posição pouco comum no segmento evangélico. “Acho que é preciso se colocar no lugar daquela que engravida a partir de um ato de violência”, opina. “Uma gravidez decorrente de estupro vai destruir a vida da mãe e aquela vida que está para chegar, porque não vai haver amor. Quantos casos temos de delinquência juvenil, de pessoas atrás das grades, de tudo isso que está acontecendo por falta de amor?”, indaga o parlamentar cearense.
Bezerra faz questão de destacar que suas posições não expressam a opinião da Igreja Universal sobre determinados assuntos. Seu mandato, aliás, não tem vinculação tão forte com a chamada bancada evangélica, normalmente mais interessada em questões de natureza moral e assuntos que digam respeito às igrejas. Ex-pescador profissional, o deputado peemedebista tem nessa área seu foco de trabalho parlamentar e é o primeiro presidente da Frente Parlamentar da Pesca. Recentemente, ele presidiu a comissão que analisou e aprovou um projeto que transforma a Secretaria Especial da Pesca em ministério.

(Com reportagem do G1) Fonte: Cristianismo Hoje